TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode afetar a atenção, o controle dos impulsos e a atividade motora.
Por muito tempo, esses comportamentos foram associados à falta de disciplina, desobediência ou pouco esforço. Essa interpretação desconsidera que o transtorno está relacionado ao funcionamento de redes cerebrais envolvidas na atenção e nas funções executivas que, quando não tratados da maneira correta, podem afetar crianças, adolescentes e até adultos.
O que acontece no TDAH
Algumas das dificuldades associadas ao TDAH envolvem funções executivas, que participam de processos como planejamento, controle da atenção, memória de trabalho e inibição de respostas.
Na prática, isso pode aparecer em situações comuns. A criança recebe três instruções e executa apenas uma. Começa a lição, se distrai e abandona a atividade. Precisa de vários lembretes para terminar uma tarefa que já conhece.
Esses comportamentos não significam que a criança desconheça a regra ou não queira colaborar. Em determinadas situações, a dificuldade está em manter a informação ativa, controlar uma distração ou organizar os passos necessários para concluir a atividade.
Isso também explica por que algumas crianças conseguem permanecer concentradas por bastante tempo em atividades que despertam muito interesse e têm mais dificuldade em tarefas repetitivas ou pouco estimulantes. A capacidade de manter a atenção não depende apenas de vontade.
Disciplina ainda deve fazer parte da rotina
O diagnóstico de TDAH não elimina limites ou responsabilidades. A criança continua precisando aprender regras e participar das atividades adequadas à sua idade.
O que muda é a forma de instruir a criança e organizar as exigências. Em vez de dizer “arrume o quarto” de uma vez, o adulto pode orientar uma tarefa por vez, como “guarde os livros”, “coloque as roupas no cesto” e, depois, “organize os brinquedos”. Para uma criança com dificuldade de organização e atenção, dividir a atividade pode facilitar a execução.
A mesma lógica pode ser usada em tarefas escolares. Dividir uma atividade extensa, reduzir distrações e estabelecer uma rotina previsível pode facilitar sua realização.

Nem toda desatenção indica TDAH
Crianças se distraem, esquecem objetos e têm dificuldade para permanecer sentadas em diferentes momentos do desenvolvimento. Esses comportamentos, sozinhos, não indicam TDAH.
O diagnóstico considera um conjunto de sintomas persistentes e incompatíveis com o nível de desenvolvimento esperado para a idade. Os sintomas precisam causar prejuízos em áreas da vida da criança e aparecer em mais de um contexto.
A avaliação também considera outras condições que podem produzir dificuldades semelhantes. Problemas de sono, ansiedade, dificuldades de aprendizagem e situações vivenciadas pela criança em casa ou na escola podem interferir na atenção e no comportamento.
Por esse motivo, fazer uma avaliação profissional é o mais indicado para entender a origem dessas dificuldades e verificar se elas estão relacionadas ao TDAH ou a outros fatores que podem afetar o comportamento da criança.
Compreender o TDAH muda a interpretação do comportamento
A literatura científica relaciona o TDAH a diferenças no desenvolvimento e no funcionamento de redes cerebrais envolvidas na atenção, no controle dos impulsos e nas funções executivas. Essas características ajudam a explicar por que algumas crianças têm dificuldade para organizar tarefas e controlar determinados comportamentos, mesmo quando conhecem as regras.
Quando essas dificuldades são persistentes e interferem na rotina, fazer uma avaliação profissional é o mais indicado. O diagnóstico exige uma análise clínica dos sintomas, do desenvolvimento da criança e de outros fatores que podem estar relacionados ao comportamento.
Para muitas famílias, esse também é o momento de buscar acompanhamento psicológico. A escolha do profissional deve considerar sua formação, experiência com o público infantil e a abordagem utilizada no atendimento. Antes de marcar uma consulta, confira também nosso conteúdo: Como escolher um bom psicólogo para o seu filho, que reúne critérios que podem ajudar nessa decisão.
